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Entrevista: Nei Lopes

Cantor e compositor, Nei Lopes desembarcou em Brasília para mostrar ao público do Festival Cara e Cultura Negra sua faceta de escritor e estudioso das culturas africanas.


Autor de vários livros, entre eles, os emblemáticos “O Samba na realidade: A utopia da ascensão social do sambista” e “Rio Negro, 50”, Nei participou da mesa Ancestralidade e Contemporaneidade no Encontro Nacional Pensamento Negro Contemporâneo. Na ocasião, ele explicou o porquê de tantos livros: “É escrevendo que se aprende mais. Por isso comecei a escrever”.


A equipe de comunicação do festival conversou com o artista carioca sobre os trabalhos mais recentes na literatura e música. Confira:


Como foi a inspiração para seu último romance, lançado em junho deste ano, “Agora serve o coração”?

A minha literatura de ficção é muito carioca, é uma proposta mesmo minha. Não vejo sentido não escrever sobre isso, eu sendo carioca de família carioca, não tendo referência de nenhum outro lugar. É a minha vivência. Todos os anos que vivi no samba, é isso que tenho que escrever. Não tem sentido escrever sobre literatura regionalista, nordestina. Meus romances e contos sempre têm uma ambientação no Rio de Janeiro. E estava faltando, na minha opinião, esse distanciamento, que é a visão a partir da periferia, não é a visão da periferia. Eu moro na periferia, com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais ou menos alto por conta da universidade, mas é periferia. Comecei a perceber que as carências urbanas do Rio são potencializadas lá. E achei interessante escrever sobre isso. E parti de uma outra constatação também: por lá não ter uma imprensa própria, como tinha antigamente, as notícias circulam muito em forma de boato. Então resolvi fazer um livro de boatos, com um fio condutor. Mergulhei um pouco na história da região, sempre ficcionalizando, chegando até o fantástico mesmo, com pessoas que morrem e reaparecem, etc. Eu gosto desse livro por isso.


E quais outros projetos tem em vista?

Gosto muito de fazer o que eu faço, então tenho sempre muita coisa. Tenho três livros no prelo que saem pelo menos até o primeiro semestre de 2020. Um deles é um livro de perfis biográficos de 100 brasileiros afrodescendentes, que chamei de “Reluzentes”. Tem um que eu chamo de Conto de Ifá e ainda o segundo volume do Dicionário de História da África, que publiquei em 2017. Será três vezes maior que o primeiro, porque pega um período da história da África que é crucial, do escravismo forte até as abolições, até a partilha da África, a entrada da colonização, o século 20. Também estou elaborando um romance que tem a ver com Brasília, que é de quando meu pai estava de cama e viu pela TV a inauguração. Seria ele comentando a vinda da capital do Rio para Brasília, o que ele imaginava que seria, com uma análise política minha.


E a carreira na música continua?

Eu não paro, não. Em novembro começo no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro uma temporada de três semanas de um show cujo fio condutor é um livro meu chamado “Guimbaustrilho e Outros Mistérios Suburbanos”, publicado em 2000. Ele conta histórias interessantes do subúrbio carioca e virou um roteiro para o show. E continuo gravando. Em 2016, ganhei um Prêmio Shell na categoria Música pela trilha sonora do musical “Bilac Vê Estrelas”, de Heloisa Seixas e Júlia Romeu. Realmente não paro.


Foto: Bruno veiga/Reprodução




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